09/02/2018

12. Libertas Quæ Sera Tamen

Cianeto não é framboesa
Não tem afeto e não se serve à mesa
Eu lhe prometo sem delicadeza
Que se me submeto é por autodefesa

Que beleza!

A correnteza do fim expurgando os males
Do corte, da injúria, da mágoa, da dor
A certeza que vim libertando os vales
Da morte, da fúria, da trégua, do pôr

Meu corpo, hotel d'um'alma criminal, escapei
Fui-lhe infiel e bebi do veneno fatal, sem lei
Aqui no céu sou o inconfidente original, eu sei
Mas Tu és o réu do meu juízo final, ó Rei

E agora, hein, Senhor?
Não eras Tu quem me atormentava?
Do alto do trono pedindo o louvor
Não eras Tu quem me abandonava?

E agora, hein, divindade?
A minha liberdade te atormenta?
Do alto da minha insurreição
A minha rebelião não te sustenta?

Da terra pro Paraíso
Lúcifer ascendido
Inflamo onde piso
Mártir incompreendido

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