29/03/2016

4. Esturjões e Pterossauros

Em um lago qualquer da Laurásia (um continente que no futuro viria a se separar em América do Norte, Europa e Ásia), um esturjão nada com apenas um objetivo em sua pequena mente: buscar o que comer. Com seu porte enorme, é um peixe muito intimidador para os pequenos seres que convivem em seu habitat. Usando seus eletrorreceptores e barbilhões, o esturjão sente a presença de um grupo de peixinhos. Ao se aproximar, sua boca se abre e apenas um dos peixinhos consegue pôr-se em fuga, subindo próximo à superfície aquática, num desesperado movimento de barbatanas. Para o seu azar, um pterossauro já havia avistado seu movimento segundos antes - o peixinho agora se debate, preso nas patas do réptil voador, até a água em suas brânquias secar.

Para o esturjão, a refeição foi mais que o suficiente por hora. Alguns 200 milhões de anos depois, essa espécie ainda sobreviveria e as ovas de seus familiares estariam sendo colhidas aqui nesta mesma região para a produção de caviar, uma iguaria de luxo por volta do ano 2000 d.C., mas vendido a preço de banana 100 anos depois - bom, me refiro à banana do ano 2000, já que nesses 100 anos posteriores, a bananeira estaria em processo de recuperação de uma forte crise ecológica que a atacou, fazendo com que o preço de seus frutos elevasse drasticamente. A espécie humana, porém, conseguiu reverter essa situação não apenas com a bananeira, mas com quase todos os seres vivos em perigo de extinção, por volta do ano 2200. A partir desse século, diversas espécies já extintas - incluindo pterossauros - começaram também a ser reintroduzidas ao planeta através de tecnologias genéticas.

Quando o peixinho pré-histórico se debatia nos pés do pterossauro, suas últimas visões, agora aéreas, incluíam estegossauros, com suas grandes placas nas costas; ornitópodes sendo perseguidos por um grupo de temidos alossauros; enormes árvores coníferas; os mais variados insetos; e, poucos segundos antes de seu último suspiro, ele pôde até ver um par de longuíssimos diplodocos com seus mais de 20 metros de comprimento - coisas que ele nunca havia visto em seus 5 anos de vida subaquática, e que fizeram esse voo asfixiante ser um pouco mais... não, não poético. Aterrador. Seus últimos momentos foram seu maior pesadelo.

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